Nesse domingo de eleição tivemos a última semana de ProQuest de booster draft de Usurp the Shadow Throne. A data e horário talvez levemente inapropriada devido ao processo eleitoral trouxe 22 jogadores à loja (torneio começou às 13:00 para termos tempo de votar, mas já sabendo que acabaria depois das 20:00).
Acabei terminando em top 4, perdendo para o Caio Zambelli de Taubaté no mata-mata. Os três pods eu draftei Malice, sem forçar o herói, mas identificando a linha que estava mais aberta para a minha posição na mesa.
Primeiro draft
Deck (42)
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Nesse draft eu comecei da forma que sempre gosto de começar um draft de Usurp: pegando equipamento Dark Arcanite, e as cartas Shadow sem classe que considero premium. Abri meus picks com , , e . Mesmo construindo um deck de herói que não precisa de muitos na mesa, sempre é bom ter acesso, e essas cartas mencionadas todas tem uma característica importante: blocam 3. é uma carta que vejo passar tarde pela mesa em alguns pods, acho interessante que as pessoas não gostam dos 0-pra-4 temáticos à base de (algo similar aconteceu no draft de High Seas onde era possível pegar bem tarde na mesa).
Nesse momento, com quatro cartas genéricas premium no meu deck, recebo um pacote com um bom aliado (acho que era o ), onde estava provavelmente faltando uma carta de Viserai e uma carta de Levia (não dá pra ter certeza porque não é fixo a quantidade por pacote, e as raras alteram isso ainda mais), e ainda tinha a outra carta de Malice mas era ruim (alguma coisa do tipo ). Se fosse um aliado pior, como um , eu talvez tentasse continuar aberto mais um tempinho, mas recebendo uma boa carta da Malice nesse momento e tendo a leitura que os outros dois já estavam sendo construídos à minha direita, decidi pegar o aliado e ir pelo caminho da necromante.
O resto do draft foi tranquilo, porque minha leitura foi correta e essa decisão de Malice era o correto para o meu assento. Se não me engano, a sequência dos decks era, indo para a minha direita: eu (Malice), Viserai, Levia, Malice, Levia, Levia, Malice, Viserai (logo à minha esquerda).
No final fechei uma boa "receita" com: 14 azuis das quais 7 blocam 3 (terminei usando 12), 4 aliados sendo um deles o que conta como 2, 5 cartas que geram on-hit, 4 cartas que geram sem condição (só as 3 eu queria resolver, a seria melhor usada como azul block 3), e 6 "ataques eficientes" (3-pra-6, 3-pra-7, 0-pra-4).
Rodadas 1-3
Na primeira rodada joguei contra uma . O plano de jogo era: blocar todo o dano, fazer 2-3 gates com os ou , e pivotar em um turno colocando 2 no campo. Meu oponente tinha um deck menos fadiga, que bania uma quantidade razoável de cartas do topo, e acabou sofrendo um pouco de . Isso me deu bastante confiança pra trocar um pouco a mais de dano em vez de tentar fechar o jogo só com os corpses, e fui fazendo dessa forma com somente um corpse até que meu oponente precisava bloquear com mais cartas da mão que permitia a ele resolver suas cartas para desligar o Debt. 1-0.
A segunda rodada foi contra o eventual campeão, usando . Meu plano era ir totalmente para a fadiga, sobreviver a todo o dano dele, resolver somente mãos de 1 carta com e basicamente. O que aconteceu na partida foi que ele brickou durante os dois primeiros turnos e eu consegui vir muito forte com os ataques eficientes 3-pra-7. Ele acabou tendo muito pouco espaço pra fazer o plano agressivo do Viserai por conta disso. 2-0.
Na última partida desse pod joguei contra outro Viserai. Mesmo plano de jogo de fadiga completa. Meu oponente transforma em turno 2 banindo somente um ataque de , o que gasta bastante o deck dele e tira todo o gás. Plano de fadiga foi bem executado; no final meu oponente tomou IP dois turnos pra tentar fazer uma última ofensiva, e eu fechei o jogo com o do antes dele resolver a última mão dele. 3-0.
Segundo draft
Deck (42)
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Esse segundo draft foi um tanto triste, deck ficou péssimo. Eu abri um no meu primeiro pacote. Geralmente eu tento pegar cartas genéricas e ficar aberto o maior tempo possível para encontrar o herói certo e não precisar pivotar, mas é uma carta MUITO forte. Depois de escolher ela para a minha pool, peguei algumas cartas genéricas como e , mas também fui pegando algumas cartas de . Lá pelo décimo pick, eu percebo que a pool de Levia vai estar bastante contestada, não está chegando nenhuma carta vermelha da heroína pra mim. Viserai também parecia bastante contestado, eu tinha lido o jogador à minha direita em Viserai já cedo do draft. Vejo um lá com só 5 cartas no pack. Essa carta não é uma boa carta, mas não é horrível, e ter uma carta vermelha de necromante tão pro final do pacote era um bom sinal. Peguei a carta e pivotei minha linha para novamente.
No segundo pacote... nada de necromante. Os jogadores à minha esquerda basicamente todos de necromante, terminamos com 4 no pod. Mas nesse segundo pacote consegui juntar algumas cartas genéricas razoáveis como , e . Também fui atrás da minha "tech secreta" para tentar salvar um draft fracassado: pegar várias amarela-block-3 e deixar o deck pelo menos consistente. Meu único aliado até agora era um e isso estava me deixando bastante nervoso, não só um único aliado como o pior deles! Mas tinha esperança em pegar alguns no terceiro pacote pois sabia que os jogadores à minha direita não estavam de necromante.
Quando abri meu terceiro pacote tive que tomar uma escolha muito difícil. Abri uma e um . A escolha mais "segura" é ter um segundo aliado, e eu gosto da Shieldmaiden razoavelmente bem. Mas eu decidi arriscar e pegar a criação de garantida, pois eu estava com 3 (um vermelho e dois amarelos), e qualquer aliado que eu pegasse eu poderia "combar" para gerar dois em um único aliado. Logo no segundo pick do terceiro pacote, recebo um , a carta perfeita para essa situação! Agora com apenas dois aliados eu tinha uma produção de bem alta: usando a para descartar um dos dois aliados e um para o outro, eu geraria um total de 4 na partida (2 da habilidade da , um da habilidade do , e um da habilidade do ).
O deck ficou ruim, mas pelo menos contra e contra outras eu teria uma boa chance. E como haviam 4 no pod, a chance estava boa para isso acontecer.
Rodadas 4-6
Na quarta rodada pego uma mirror de Malice. A minha esperança é que todas as Malice do pod tenham ficado fracas e eu consiga arrastar uma vitória. E de fato, o deck do meu oponente estava quase desfuncional. Quase não fui ameaçado dano, e consegui resolver um cedo descartando o , fazendo os três e meu oponente concedeu. 4-0.
A segunda partida desse pod também foi uma mirror de Malice, mas agora o deck do meu oponente estava bem melhor. E um dos aliados dele era um , que ele descartou no turno zero com sua e já me colocou numa situação desconfortável. O cavalinho ganha on-hit, mesmo se o alvo for um aliado. Então qualquer aliado que eu fizesse, seria facilmente limpado pelo meu oponente sem gastar um Action Point. No meio da partida eu pivoto para um combo de pitch stack. Como meu oponente está jogando mais devagar e tentando fadigar por conta do seu e quantidade maior de aliados, eu consigo abrir uma boa vantagem de vida, mesmo que esteja gastando mais recursos e cartas. No fundo do meu deck eu deixei 3 cartas azuis juntas, e uma carta que bloqueava 3 (). Coloquei 3 na minha Banish Zone dois turnos antes de chegar nessa mão do fundo do deck, tomei um total de 6 propositalmente, torcendo para que meu oponente não fosse ter dano suficiente para cobrar as cartas azuis da minha mão. Eu com 8 de vida, meu oponente faz um turno de 9 de dano, que cobra meu e vou a 2 de vida, mas volto resolvendo os três e fechando a partida. 5-0.
Como eu era o único 5-0 nesse momento e já estava confirmado como primeiro colocado do suíço, eu concedo minha última partida para descansar antes do top 8.
Draft do top 8
Deck (42)
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Mais um draft onde eu fico aberto e identifico como o herói do meu assento. E bem corretamente, o pod tinha somente 2 Malices, que por acaso era eu e o jogador à minha direita. Fui pegando cartas de Shadow sem classe, até no pick 5 onde veio um . Peguei o zumbi, e fiquei esperto para ver quantas cartas de Malice ainda passariam por mim. No final do primeiro pacote percebi que deveria haver mais um jogador de Malice em 1 ou 2 posições à minha direita, mas em geral estavam vindo cartas boas ainda, então me manti nessa linha. No segundo pacote eu recebi absolutamente tudo de Malice, é claro, pois haviam em sequência 6 jogadores à minha esquerda que não estavam em Malice. Fiquei bem feliz com a decisão de me manter no deck.
Olhando por cima parece que o deck ficou bom, até você parar pra pensar na receita que ele faz:
As únicas cartas que criam são , incondicionalmente, e , e condicionalmente (também tem 2 "movers" em e )
Eu só tenho dois ataques grandes em e , e um outro ataque eficiente em
O que acontece em um pod onde tem poucos de um herói, é que as cartas genéricas passam a ser muito contestadas. E a minha estratégia de para fadigar os oponentes depende muito dessas cartas genéricas com pouca sinergia com as cartas de necromante.
Dessa forma, eu não consigo jogar um jogo de fadiga muito eficiente pela falta de block-3 e ataques grandes, nem usar muito bem meus aliados pela falta de . Ainda assim, a quantidade grande de aliados deve ser o suficiente pra ganhar a mirror. Eu só não queria enfrentar , que conseguiriam me causar bastante dano se eu quisesse resolver meus aliados. Adivinha os decks que enfrentei...
Rodadas do top 8
A partida do top 8 já foi um de cara. Meu oponente não parecia muito feliz com o deck dele, no entanto. Eu subi 3 dos meus 4 aliados, coloquei o máximo de block 3, e fui com o plano de fadigar. Eu ainda tive uma decisão entre subir somente 2 aliados para ter um block 3 a mais em , mas decidi que 3 aliados com a luva e boa quantidade de descartes não seria muito ruim. Minha preocupação era em poder resolver o com alvo para descartar.
No turno 2 meu oponente se transforma em , banindo três ataques de vermelhos do topo. Eu quase desesperei ali com esse high roll, tinha aceitado minha morte. Mas fui bloqueando e tentando jogar para fadiga, e para minha surpresa funcionou. A aparentemente desconfiança do meu oponente em seu deck apareceu no fim do deck, onde não haviam suficiente para aumentar o valor das cartas de , nem cartas que banem da mão como para continuar ativando a espada. Acabei fadigando ele completamente, ele não tinha dano suficiente no deck.
Para a partida do top 4, novamente pego um . Novamente vou com 3 aliados, mesmo deck. Eu já estava cansado, mas deveria ter gastado um pouco mais de tempo refletindo sobre a partida do top 8 antes de escolher meu deck para o top 4, o correto era ir com 2 aliados, em restrospecto.
Dessa vez a partida ocorre de forma bem diferente da anterior. Meu oponente joga um jogo de valor, com cartas genéricas de shadow, e só vira o herói em no turno 4. As cartas banidas nem são impressionantes, ficando só um na banish. Aqui eu criei bastante confiança para tentar fadigar meu oponente. No entanto não funcionou tão bem. O deck do meu oponente estava cheio de cartas como , e , para continuar ativando a espada. Além disso, alguns de diversas cores mantiveram a corrente de ativar por muito mais tempo que eu esperava. Acabei morrendo em uma mão com um aliado que não podia blocar, perto de fadigar meu oponente mas não com vida suficiente para aguentar o penúltimo turno dele.
Conclusão
Usurp the Shadow Throne é um set muito divertido de draftar. Os heróis apresentam grande complexidade de gameplay e da receita do draft, onde são necessárias várias pecinhas de sinergia para deixar o deck funcional. Não só lembrarei dessa season de ProQuest com carinho, como estou animado para continuar draftando esse set para o Mundial em Paris daqui 1 mês.
Uma lição aprendida aqui é como se portar na fadiga contra um Viserai que se mantém consistente com os ataques de Shadow, em vez de depender de muitos ataques de Usurp. Ter subido menos aliados e aceitado menos dano para resolver meu , já que eu era quase obrigado a fazer isso para ter o , pode ter sido a decisão que me custou uma final e possível vaga para o ProTour Londres.
